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25 de abr. de 2011

Fundação do Câncer: Com você, pela vida!


Sou convidada, desde o ano passado por conta da Veia Social, para um evento bem bacana, um show beneficente, organizado pelo diretor da Globo, Fred Mayrink, em prol para a Fundação do Câncer. No ano passado, a temática era o Mr. Blue Eyes, o grande Frank Sinatra! Mas este ano teve um gosto especial: A Fundação comemora 20 anos de trabalho, gerindo projetos nas áreas de pesquisa de controle e prevenção do câncer no Brasil! 

O tema da noite era o mestre Tom Jobim, que é a cara do Rio de Janeiro.

Quem deu o tom emocionante da noite foi o dr. Marcos Moraes, falando sobre o início da Fundação do Câncer e da luta diária com os projetos propostos, além de reafirmar os esforços da Fundação:  "Podemos dizer que temos 20 anos de boas notícias mas ainda precisamos avançar. Precisamos que a população adote hábitos saudáveis. Vamos dizer não ao tabagismo e sim à alimentação saudável e a prática de atividades físicas. E precisamos também de trabalho voluntário e de doações, porque investir em pesquisas e tratamento custa muito caro”


O evento estava lotado! Toda a renda foi doada para a instituição e dará forças para os projetos  vigentes. Mas voltando para o show... As músicas de Tom foram belíssimamente interpretadas por um time de primeira: de Milton Nascimento a Alessandra Maestrini, com toques de jazz oferecidos pela Rio Jazz Orchestra. Teve até participação da grande cantora de jazz, Nneena Freelon, que causou arrepios na platéia ao interpretar "Triste" e "Corcovado".


Vamos às fotos? :)


Fred Mayrink, o idealizador do show




O show "Com Você, Pela Vida" é realizado anualmente pela Fundação do Câncer, Fred Mayrink e Vivo Rio. Conheça mais sobre a história do evento no link.

3 de ago. de 2009

A diversão levada a sério: “Da lama ao caos”, 15 anos!

“Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.” (Fred Zero Quatro, Mundo Livre S/A, 1994 - “Manguebeat: utopia revisitada”)

Uma das repercurssoras do movimento Manguebeat, a banda recifense NAÇÃO ZUMBI lançou seu primeiro cd, entitulado de "Da Lama ao Caos", em abril de 1994. O lançamento deste CD tirou Recife do mapa e o trouxe para o mundo, a fim de provar que nem todo batuque é samba e os caranguejos têm cérebro.

  Com batuque grave e enérgico, ouvia-se, abrindo com o verso “modernizar o passado é uma evolução musical”, a voz de Chico Science, o discurso não-vazio do manguebeat. O álbum de estreia de Chico Science e Nação Zumbi modernizava o passado e anunciava o futuro metaforizando a lama do mangue como a revolução que todos esperavam, mas ninguém sabia como fazer acontecer. E hoje, 15 anos após o seu lançamento, a música brasileira se divide em antes e pós manguebeat. “Da Lama Ao Caos” além de ser o primeiro álbum do grupo, fez parte de grito dado nos anos 90, juntando novas tecnologias – visíveis na capa do álbum - com samplers e elementos de percussão, foi distribuindo a cultura nordestina em cada verso aliado a um movimento utópico, com importância grandiosa da divulgação da cultura nordestina para o Brasil. O álbum foi o primeiro de qualquer banda da Cena do Mangue. Antes de qualquer rotulação, escrever sobre todas as bandas desse cenário merece uma leitura rigorosa para entender que o movimento é mais que utópico e musical. De acordo com o atual vocalista Jorge du Peixe, o principal é entender o manguebeat como um movimento tal qual o da Bossa Nova e Tropicália, livre de amarras, cartilhas ou intenções pré estabelecidas.

O movimento do mangue – ou caranguejos com cérebro- , era mais que um som, uma mistura musical ou um ritmo, foi o estopim de uma significativa mudança de comportamento. A juventude passou a valorizar mais a cultura pernambucana e, principalmente, a tomar consciência de que não precisava esperar o Estado ou iniciativas importadas do eixo Sul-Sudeste para fazer acontecer, para criar seus próprios caminhos de expressão cultural. Naquele solo árido do período pré-mangue, onde a juventude tinha poucas oportunidades de cultura e lazer, um sentimento cresceu: “eu posso fazer, eu preciso fazer e Pernambuco tem a matéria prima de que preciso para realizar algo diferente”. Os caranguejos com cérebro começaram a se multiplicar e iniciativas foram se ramificando na música, no design, na moda, no cinema e no vídeo. A movimentação criada pelo manguebeat pipocou e significou novas oportunidades para artistas e técnicos de toda área cultural .

Em comemoração deste marco histórico de seus 15 anos de lançamento, a banda Nação Zumbi foi parar na interiorana Garanhuns, PE, com um show especial mostrando a releitura do “marco zero” de sua história, com convidados que fizeram parte da vida da banda, como Mundo Livre S/A, Ira! e Arnaldo Antunes. Esse show serviu para confirmar o álbum “Da Lama ao Caos” como espinha dorsal do movimento manguebeat, mostrando que mesmo com o tempo passando, a superação da morte prematura de seu ex líder Chico Science(1997) não só foi completamente superada, como também renovado seu conceito estético e se tornado uma das mais importantes e influentes bandas do país. Em entrevista Jorge afirma que, apesar de estar sem Chico, tudo continua fluindo de maneira leve e estético-sonoro como quando construído em conjunto com o ex-líder e que apesar das expectativas e rotulagens sobre todos os lançamentos, tudo é feito muito leve, sem voos altos, com os pés no chão e afirmando cada vez mais a cultura brasileira mundo a fora .

Com o histórico álbum “Da Lama ao Caos” debutando, a gravadora Sony Music colocou nas prateleiras uma edição de luxo, caracterizada como “Meu Primeiro CD”, com dois presentes: um LP original com áudio remasterizado nos E.U.A. e o CD original, e sai pela bagatela de R$150. O preço salgado agrega valor sentimental. Lucio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, diz “Ali estão as ideias de anos de expectativa por uma consolidação profissional. Tudo aconteceu da melhor maneira possível. Não imaginávamos que um dia o álbum seria tão importante para a música brasileira. Mudamos o conceito de ‘MPB é uma m..., o negócio é imitar gringo’. ‘Da lama ao caos’ é o primeiro e mais importante disco de nossa carreira.”.

Não há melhor forma de fechar este artigo, sem ser pelas frases do senhor Arthur Dapieve, crítico musical:

‘Da lama ao caos’ foi uma espécie de ovo de Colombo. Muitas bandas de rock das décadas anteriores - sobretudo Mutantes, Paralamas e Titãs, mas até Legião Urbana e Engenheiros do Hawaii - tinham feito tentativas mais ou menos bem sucedidas de eliminar as contradições, ou supostas contradições, entre rock e música popular brasileira. Mas foi o Chico Science quem botou o ovo em pé, com a autoridade proporcionada pelo seu sotaque pernambucano e pela sua profunda imersão nos gêneros regionais, como o maracatu, o forró e o frevo. Tudo fundido com punk rock e soul!
Para mim, isso foi, além de uma delícia de escutar, um alívio de pensar. Porque, como tinha dito a Rita Lee, roqueiro brasileiro sempre tinha tido cara de bandido, significando com isso que soava como uma heresia antipatriótica apreciar o pop-rock anglo-americano por aqui. Ainda hoje, para você ter uma ideia, tem gente que às vezes diz que eu não escrevo "sobre música brasileira". Ah, é? O rock brasileiro dos anos 80 e o Renato Russo não são livros sobre música brasileira?! Mas espero que ninguém seja tão surdo e bitolado a ponto de achar que o que o Nação Zumbi e toda aquela galera de Recife fez não seja música brasileira... Muito brasileira, inclusive, na voracidade antropofágica que digeriu de tudo.”

E para você que me lê, que mudou na sua vida depois de “Da Lama ao Caos”?

27 de jul. de 2009

Musicaria: Na Massa!

Sempre gostei muito de música, mas como não tenho formação de produtora musical, não me sinto apta para julgar bandas, a não ser pela sonoridade que entram em meus ouvidos. Conheci ano passado o projeto 3 Na Massa, composta por Dengue e Pupillo (da banda Nação Zumbi, guitarrista e baterista, respectivamente) em conjunto com Rica Amabis, do selo Instituto, de São Paulo.

Como já se sabe, ninguém em Recife tem banda e sim projeto. Lá ou se cata carangueijo no mangue ou faz projeto. Nação Zumbi que o diga. Tem nas costas, junto com seus integrantes, cerca de 4 projetos paralelos e o 3 na massa não passa desapercebido.

Para os vocais, o trio chamou inúmeras mulheres, atrizes ou cantoras, que não fizeram feio. 3 na massa tem uma música suave, sexy e relaxante. Seu primeiro CD tem tudo a ver com este blog, inclusive: “Na confraria das sedutoras”.

Na apresentação vem uma música gostosa aos ouvidos chamada “Certeza” e é cantada num francês gostoso, pela atriz Leandra Leal. E não para por aí. Todas as músicas são gostosas de ouvir. A diferença da “nova bossa” fica por conta dos meninos do selo Instituto. A produção foi tão bem pensada que faz com que a sensualidade transborde beiradas do disco, enchendo os ouvidos de belas histórias no meio de músicas que soam picantes, saudosas, alegres, divertidas, quase que circenses.

O cd, com 13 faixas interpretadas por cantoras como Pitty, Thalma de Freitas, Céu e Nina Becker, já está muito bem cotado e sendo vendido nos Estados Unidos, Europa e Brasil. Ao ouvir o som, preparem-se para chegar ao climax de pura alegria e prazer. Para melhorar, a banda 3 na Massa faz parte daquele pequeno grupo que libera as músicas na internet com a finalidade de divulgação de seu trabalho. Para ouvir, basta clicar aqui.

Para ter um gostinho… Veja o vídeo abaixo:

Figurino: Mariana Ramogida e Sylvia Ostronoff | Maquiagem: Anna Van Steen e Carla Carrasco

Por sorte dos cariocas, será a segunda vez ( se não me engano) que 3 na Massa estará no Rio. Confiram!!!

Serviço:
Show 3 Na Massa abertura Jam da Silva – Circo Voador, Rio de Janeiro.
Com Céu, Karine Carvalho, Lurdez da Luz, Marina de La Riva, Thalma de Freitas
08/08/2009 – 22h (abertura dos portões) – R$20 (estudante) | R$40 (inteira)